sexta-feira, 11 de abril de 2014

Memória olisiponense II



A manhã desperta 
sobre o dorso de mármore
branco sujo
do chafariz pombalino
a minha mão mínima 
da infância 
pousada sob o rebordo
húmido
e macio da pedra
depois de páginas
e páginas de Júlio Verne
e de um qualquer
jogo da apanhada
a outra mão roda
a torneira de cobre
pelos meus lábios
subo aos céus
por aquela corda
de água
que apenas 
de escutar-lhe 
o canto
me sacia esta sede
de criança.


Lisboa, 11 de Abril de 2014
Carlos Vieira

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