sábado, 4 de outubro de 2014

Nada, nada, nada



Neste sábado de manhã
enquanto tomo o café

espero a Matilde
na piscina do Holmes Place
os meninos aprendem 
a nadar.

Treinam os estilos 
livre de correntes
e de bruços 
e de costas 
para o imenso mar
de escolhos
da vida.

Peixes de água doce
e aquecida
e de risco moderado
reaprendem a respirar.

Vou-me embora
cansado de tanta estafeta
neste oceano
a fazer de conta
e o tempo
está a mudar.

Mergulho
nado debaixo
de água
dou duas ou três braçadas
e estou dentro 
do liquído amniótico da solidão
vou até ao açude
da infância
deixo-me descer
até à fossa abissal
da poesia.

Carlos Vieira




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