sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Poema para um lar de todas as idades


Percorro
com o olhar
a floresta
a prata dos penteados
de cabeças coroadas
e lá está sozinha
reinando tão magra
na sua solidão
que não quis
interrompida
tão frágil
de uma tristeza
erecta e digna
mantêem-se à tona
olhando ainda
pela sua vida
e sua circunstância
e pela dos outros
da cadeira de rodas
injusto fim e trono
para tão amável
reinado
e no intervalo
da sua demência
do seu abandono
oiço-lhe o eco
das palavras
e da clarividência
“- Nunca gostei disto,
leva-me para casa!"
Lisboa, 23 de Abril de 2016
Carlos Vieira

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