segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Crime sem castigo






na geografia de cristal

há a subtil intercepção

de um tempo sem razão

há a sombra do punhal

na vertigem silenciosa

no itinerário das árvores

é pura a voz  estrangulada

e na sinfonia dos pássaros

não escorrem as lágrimas

que se sabem mais íntimas

de um olhar perturbado

ou próximas das estrelas

pelo vidro embaciado

da solidão das janelas

a testemunha protegida

observa o lento escorrer

do sangue  e apodrecer

do cadáver e da sua vida

apaga o rosto do assassino

a astúcia montada da teia

no peito tudo fica gravado

num depoimento cristalino

pelo periscópio da lua cheia



Lisboa, 13 de Agosto de 2012

Carlos Vieira

                                                       “Witness to Murder”  Bem Walker




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