sábado, 4 de maio de 2013

Voo em flecha e queda em espiral



 

Flecha

flor de vertigem

hélice de espanto.

 

Alforria

do arco do tempo

na elipse de um sonho

de mão firme.

 

Vai seu sibilino canto

serpenteando

premente

viagem sem palavras.

 

Escutando  

no seu murmúrio

o restolhar da memória urgente

no fim da floresta.

 

Ali

desferes o golpe fulminante

na maçã

de um louco amor.

 

Ali

tombou aniquilada

a ilusão dos pássaros

do livre pensamento.

 

Foi ao encontro

do esperanto da morte

agora

única expressão da liberdade.

 

Nessa fresta

apenas franqueada

ao eco da última palavra

que se soltou.

 

Na queda em espiral

reinventaste

o voo eterno

no espírito cego da flecha.

 

 Lisboa, 4 de Maio de 2013

Carlos Vieira

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