segunda-feira, 20 de maio de 2013

Paisagens interiores



Navega uma estrela
de fogo posto
num espelho azul
em labaredas
nesse lago impávido
a lágrima cai
tolda-lhe o sul
sulca-lhe o rosto
decantando
a luz do sal
apaga-se o olhar
âncora no tempo
no gume da pedra
os sinais de fumo
na esquina do vento
paciente a espera
de páginas de espuma
num silêncio adiado
do recôndito país
de inflamados rios
todos conspiram
secretamente
num  lume brando
em suores frios
tudo mergulha
num calmo estupor
no ténue ânimo
naufrágio interior
uma vela trémula
o coração alberga
a lâmina tempera
liberta um balão  
descuidado sonho
ou gesto pueril
assim nos devolve
ao acaso de cinzas
num céu de estanho
cruzamos o deserto

uma noite
de profícua solidão.


Lisboa, 20 de Maio de 2013
Carlos Vieira


 

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