terça-feira, 17 de novembro de 2015

Feira do Relógio


I
Amanhã
vou à Feira do Relógio
matar o tempo
com uma pistola
transformada.
II
Se chover
melhor
gosto do gotejar
das tendas
do salpicar
da lama
do triunfo
da aparência
na roupa
falsificada.
III
Infelizmente
já não há castanhas
embrulhadas
nas páginas amarelas
a receptação
deixou de ser
a oportunidade que era
estamos em migração
para o mercado
virtual.
IV
Do ângulo
de visão de Deus
tudo na mesma
almas penadas
que se escondem
debaixo da errância
dos chapéus de chuva
e o preto já foi
mais habitual.
V
Enquanto
não se calam
na discreta
narrativa
dos novos tempos
oiço os pregões
e as pragas
aves em via de extinção
que sobrevoam
o silêncio.
Lisboa, 7 de Novembro de 2015
Carlos Vieir

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