sábado, 27 de fevereiro de 2016

Escultura precária



Para escuta e olha
geringonça
tímida estátua
num canto da praça
montagem
de pele e osso
de olhar vítreo
na penumbra
o coração
quase sem corda
bate-lhe
imperceptível
à flor da pedra
por debaixo
do tom plúmbeo
e da pele
agulhas de néon
ferem-na
esquálida
não lhe encontram
a veia
tudo para além
da incerteza do pão
e heroína
de desbotado sorriso
de baton
e ponteado de cáries
no colo que na noite
ofereces
acabará por pousar
um errante
manga de alpaca
com garrotes
de gravata e de vazio
que o alcool
por momentos afoite
num encontro
de desgastado calcário
abraçando
o bronze de burocrata
celibatário.

Lisboa, 5 de Janeiro de 2016
Carlos Vieira

Escultura de autor desconhecido

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