quinta-feira, 31 de julho de 2014
segunda-feira, 28 de julho de 2014
Dias de bruma I
cai sobre a tua ausência e a terra a chuva impenitente
dos pássaros que cantam indiferentes não identifico nem um
sobrevivo em suspenso do aroma das árvores, flores e frutos
e na breve abóbada do teu silêncio
enquanto isso desaparecem a estrada, as casas,os rostos, as palavras
como se fosse possível o êxodo desta ilha
apenas a bruma e algures a presença dos abismos
no caos em que por vezes nos cercam os sentidos
por ti fiquei cego e a tactear pressinto que o vazio
pode ser uma espécie de morte
contudo resta-me a coragem ou a lucidez
de saber que algures está pousada a tua mão meu amor
e que por esse caminho de espinhos e emboscadas
resiste a esperança de passar incólume
por esse istmo que apela à força da natureza
ou à frágil subtileza do coração
Santa Rita, 28 de Julho de 2014
Carlos Vieira
sábado, 26 de julho de 2014
sexta-feira, 25 de julho de 2014
Flor do aloés
ergues-te acima
das espessas línguas
de clorofila
erecta
como se fosses
a flor única do aloés
vermelha
e tu és aquele grito
que entra pelas janelas
adentro
de par em par
abertas às intempéries
e dali
traças a bissectriz
doutro espaço
onde apenas existe
o tempo
de beijar o vento
Lisboa, 25 de Julho de 2014
Carlos Vieira
Debaixo do Pico da Esperança...
Debaixo
do Pico da Esperança
a persistência de um castanheiro
o gato afia as unhas
no seu tronco
depois enrola o seu rabo
nas pernas
e nas histórias
que perduram numa cadeira
com forro azul petróleo
espera pacientemente
no desencontro das estações
que os ouriços
libertem as castanhas
e esgarça as nuvens do Pico
com suas garras
impotente perante o desafio
do canto dos pássaros
que fazem nesta manhã
o acompanhamento
da chuva de Verão.
Santa Rita, 25 de Julho de 2014
Carlos Vieira
terça-feira, 22 de julho de 2014
domingo, 20 de julho de 2014
O lento caracol
o lento caracol
sobe a cana
é subtil o rasto
que desenha
no orvalho
e imperceptível
a folha
que estremece
estandarte
rumor verde
por cima
das translúcidas
amoras
que aguardam
serenas
a clarividência
azeviche
dos melros
e o insaciável
esmalte
dos teus dentes
enquanto
o vagar
dos meus dedos
te enlouquece
depois da noite
de espinhos
incandescentes
acenderem
teu corpo
tenso de alabastro
isso foi antes
agora
indiferente
ao desejo
que na madrugada
te fustiga
e te esgana
o lento caracol
desliza
sobe a cana.
Lisboa, 20 de Julho de 2014
Carlos Vieira
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