sábado, 4 de agosto de 2012
sexta-feira, 3 de agosto de 2012
História de um amor à primeira vista (Ria Formosa)
No fio de prumo do meio dia
beija-a na testa a maré viva
reconhece a volúpia do olhar
os secretos baixios da ria
deixa-o no doce contornar
do seu corpo farol à deriva
vai na corrente o cardume
de desejos e o voo perplexo
invade as narinas o perfume
na violência do seu amplexo
reacende-se o antigo lume
liberta-os da viscosa solidão
e ali encalhados na rebentação
inventam um lugar no mundo
onde o amor e a morte é o cume
que se reconquista a cada segundo
Ilha do Farol, 31 de Julho de 2012
Carlos Vieira
II – Castelos de Areia
eis o alegre chilreado de calções
pelo espelho de água da laguna
irão apanhar-nos de surpresa
os seus pequenos pés a chapinhar
nos mistérios daquele mar interior
a criar pequenos círculos de aventura
e quaisquer teorias da conspiração
ou viagens de ancestrais esperanças
desvanecer-se-ão sem pestanejar
no olhar puro e ávido das crianças
Ilha do Farol, 31 de Julho de 2012
Carlos
Vieira
Jozef Israël
“Children on the Beach”
quinta-feira, 2 de agosto de 2012
I - Castelos de Areia
as meninas brincam com o ouro da areia
entre os seus dedos lhe escorre o tempo
lhe sobra espuma e o sal e lhe foge o mar
clepsidras da minha carne onde se escoa
o grão da palavra no marulhar das vozes
de minhas filhas a levantar a tempestade
Ilha do Farol, 31 de Julho de 2012
Carlos Vieira
sábado, 21 de julho de 2012
à espera das palavras
I
aqui estou eu
diante da folha branca
camponês frente ao baldio
enquanto espero à sua beira
pelo rio das palavras
o canto livre
dos pássaros inquietos
corre-me nas minhas veias
na respiração das árvores
fico preso na gaiola das ideias
II
aqui fico
de olhar perdido na planície
como um pastor
olhando as palavras tosar a erva
e um lobo a crescer dentro de mim
depois junto-as todas
ponho o texto no bolso
chego ao fim do dia
e na minha cabeça a latejar
o dolente ruminar dos animais
o fulminante silêncio da noite
onde tosquio as ovelhas
e as palavras
uma a uma
III
viajo neste comboio
nesta sucessão de túneis
oiço o riso fresco
das florestas
e das mulheres
conheço os precipícios
sei das assombrações
o meu cérebro
é um deserto atravessado
pelo gemido metálico nos carris
a quietude das passagens de nível
sobre a esquecida estação
a corrente de ar
uma película de poeira
de grãos de areia e palavras
repousa ínfimo
o peso do meu corpo
à espera de vida
IV
navego na profusão do azul
distingo gaivotas distantes
na bruma
palavras que ganharam asas
nas nuvens se confundem
e com a espuma
todo este mar e estas aves
porém de nada me servem
estes círculos
de puros abraços
e tristezas suaves
Lisboa, 21 de Julho de 2012
Carlos Vieira
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