quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Mudam-se os tempos, as regras ou escondem-se os “berlindes”



Lá vai o tempo
em que se jogava o berlinde,
de joelho no chão
e dois palmos antes do buraco,
agora ao falar-se de “berlin-de”
falamos de coisas muito mais sérias,
de um jogo inteligente,
deve ter muita estratégia
e sem desperdícios,
não se brinca
com o nosso dinheiro
e “de pequenino
é que se torce o pepino”,
são precisos
hábitos de trabalho,
ser responsável,
faço figas
com as mãos nos bolsos,
seguro
bem os "guelas"
e o abafador
da sorte.

Lisboa,  23 de Janeiro de 2014
Carlos Vieira



                                                           Foto de autor desconhecido

Tem saudade...

Tem saudades
de ver o mar
e no entanto
tem medo dele,
no amor
é sempre assim,
o saber das marés
do tempo
e das distâncias.

Lisboa, 23 de Janeiro de 2014

Carlos Vieira

Todo o dia....

Todo o dia este martelo
percutindo na imaginação
à noite não vivo sonambulo.

Lisboa, 23 de Janeiro de 2014

Carlos Vieira

Oiço crepitar...

Oiço o crepitar do fogo,
passo pelas brasas e pela ilusão 
de que te amarei eternamente.

Lisboa, 22 de Janeiro de 2014
Carlos Vieira

Tenho um sonho...

Tenho um sonho recorrente
o meu pai olhava da Torre Eifell para o Maio de 68
e eu dizia-lhe um adeus de emigrante.

Lisboa, 23 de Janeiro de 2014

Carlos Vieira

A ferrugem...

A ferrugem avança impenitente
sobre as alfaias e o abandono das terras
invade o teu rosto.

Lisboa, 23 de Janeiro de 2014

Carlos Vieira

Este sino verde...

Este sino verde
que tocou mesmo agora no século XXI
já não sei se chora, se canta
nem porquê, nem por quem
fica-lhe bem
este estremecer dos arrabaldes.

Lisboa, 23 de Janeiro de 2014

Carlos Vieira