quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Desespera

Meu amor
enquanto esperei por ti
no café
bebi uma garrafa de água 
sem gaz.
Depois em desespero
pedi um whiskey
de malte 
sem gelo.
Depois bebi, bebi
até me esquecer
porque estava ali.
Até que tu 
me convidaste 
a sair sem ti,
pois estava a causar
mau ambiente.
Eu já não te
reconheci.
Já estavas meu amor,
tão sóbrio de ti
e tu ainda
sem mim.

Lisboa, 16 de Janeiro de 2014

Carlos Vieira

O território



O final da noite
eu, o rafeiro, a lua
a coreografia
é sempre igual,
aquele ladra àquela
do meio da rua
como um qualquer
ser humano,
ela olha-o atónita
como um animal
sem nada a dizer.
Eu vejo a aldeia
ou melhor o mundo
de pernas para o ar
como um astronauta,
a lua no céu a ladrar
e na rua o cão
a levantar a perna
deixando aqui e ali
o brilho amarelo
e húmido
da lua cheia.

Lisboa, 16 de Janeiro de 2014
Carlos Vieira



                                                         Rufino Tamayo: “Moon Dog”

Objetos


Have you ever been in love?


Horrible isn’t it? It makes you so vulnerable. It opens your chest and it opens up your heart and it means that someone can get inside you and mess you up. You build up all these defenses, you build up a whole suit of armor, so that nothing can hurt you, then one stupid person, no different from any other stupid person, wanders into your stupid life…You give them a piece of you. They didn’t ask for it. They did something dumb one day, like kiss you or smile at you, and then your life isn’t your own anymore. Love takes hostages. It gets inside you. It eats you out and leaves you crying in the darkness, so simple a phrase like ‘maybe we should be just friends’ turns into a glass splinter working its way into your heart. It hurts. Not just in the imagination. Not just in the mind. It’s a soul-hurt, a real gets-inside-you-and-rips-you-apart pain. I hate love.

Neil Gaiman, The Sandman


A Alma Buscada



Quando peso os prós e os contras
das coisas que meu amor encontra
uma boca curva, um punho de fogo
um cenho interrogativo, um belo jogo
de palavras tão batido quanto o pecado
uma orelha pontuda, um queixo rachado
membros longos, agudos e olhos oblíquos
nem frios, nem meigos, nem escurecidos
Quando então pondero usando a razão
nas superficialidades que satisfazem meu coração
sou surpreendida com tal banalidade
me maravilho com a minha normalidade.

Dorothy Parker

Pedem o amor...

Pedem tanto a quem ama: pedem o amor. Ainda pedem a solidão e a loucura.


Herberto Hélder

Os poetas - "No sorriso louco das mães" (Herberto Helder) disco "entre n...