quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Anne Perrier dans la royauté fragile de vivre

Anne Perrier dans la royauté fragile de vivre

Autour de moi les grandes fleurs 

Anne Perrier

Muselées du jour
Mon cœur comme la mer
Se retire
Est-ce midi
Minuit ?
L'heure pleine de feuilles mortes
Plie

in Anne Perrier, par Jeanne-Marie Baude Lettresperdues (1971) © Seghers 2004, p.188


Toutes les choses de la terre
Il faudrait les aimer passagères
Et les porter au bout des doigts
Et les chanter à basse voix
Les garder les offrir
Tour à tour n'y tenir
Davantage qu'un jour les prendre
Tout à l'heure les rendre
Comme son billet de voyage
Et consentir à perdre leur visage

ibid Pour un vitrail (1955) Pierre Seghers , Paris p.155

Citação



“What is an adjective? Nouns name the world. Verbs activate the names. Adjectives come from somewhere else. The word adjective (epitheton in Greek) is itself an adjective meaning 'placed on top', 'added', 'appended', 'foreign'. Adjectives seem fairly innocent additions, but look again. These small imported mechanisms are in charge of attaching everything in the world to its place in particularity. They are the latches of being.”
― Anne Carson

Planetário


o mundo arde, amor
as árvores mergulham no rio
os homens fogem para dentro da terra
em covas escuras, para junto dos mortos
a palavra regressa à boca
a ideia à pedra
e nós, amor, já longe de tudo
adormecidos no planetário

A torre de pisa


A torre de Pisa
em Itália
como qualquer torre
não fala

Inclina-se
para a frente
e cumprimenta
a gente

Não é como
a torre de Belém
que não cumprimenta
ninguém


António José Forte

É este o quarto...

E é este o quarto onde costumo estar nas noites assim; o quarto onde costumo estar nas noites que não são bem assim; o quarto onde costumo estar todas as noites e onde nunca nada jamais acontece a não ser o estrépito do céu caindo à vez pelos telhados. 

Uma história de desamor três vezes, António Gregório 

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

PETICIÓN


Señor devuelve a las cosas su esplendor perdido
reviste al mar con su magnificencia de siempre
y vuelve a cubrir los bosques con sus variados colores
retira la ceniza de los ojos
limpia el amargor de las lenguas
haz caer agua pura que se mezcle con las lágrimas
permite que nuestros muertos duerman en el verdor
que nuestro obstinado pesar no logre detener al tiempo
y que el corazón de los vivos florezca con el amor


só o sangue cheira a sangue


Há na intimidade um limiar sagrado,
encantamento e paixão não o podem transpor –
mesmo que no silêncio assustador se fundam
os lábios e o coração se rasgue de amor.

Onde a amizade nada pode nem os anos
da felicidade mais sublime e ardente,
onde a alma é livre, e se torna estranha
à vagarosa volúpia e seu langor lento.

Quem corre para o limiar é louco, e quem
o alcançar é ferido de aflição...
Agora compreendes por que já não bate
sob a tua mão em concha o meu coração.

Anna Akhmatova