segunda-feira, 30 de dezembro de 2013
às quatro da manhã raramente
está aqui alguém, só de passagem.
eu, pelo contrário, gosto de sentar-me
porque o meio da madrugada vai bem
com estas pedras e estes sentimentos
mesmo que me recordes o resto
da noite, aqui perto, por ali,
entre os corpos organizados e
disponíveis, a língua e a conversa
decorada, essa memória
não chega. Nem tu
a meu lado sobrevives à
solidão deste lugar.
Pedro Santo Tirso
eu, pelo contrário, gosto de sentar-me
porque o meio da madrugada vai bem
com estas pedras e estes sentimentos
mesmo que me recordes o resto
da noite, aqui perto, por ali,
entre os corpos organizados e
disponíveis, a língua e a conversa
decorada, essa memória
não chega. Nem tu
a meu lado sobrevives à
solidão deste lugar.
Pedro Santo Tirso
Podes ficar aqui?
Podes ficar aqui?
Não vás embora,
precisarei de mais alguns minutos,
horas, dias, semanas, meses, anos,
eternidades para te esquecer
Fernando Pinto do Amaral
Sonho-te real, em lágrimas de mar
refaço as mãos, tuas raízes verdes, conto e reconto as horas que passámos. Repiso os passos, rasgo a estrada branca, renasço em cada gesto que fizemos, beijo-te outra vez, ajoelhado... Enquanto longos, dolorosos versos nas veias vão doendo Pedro Tamen |
Ave haiku LXIX
Pássaros, pássaros, pássaros
devoram-lhe os olhos e Invadem-lhe os sonhos
Hitchcock é um corvo que passeia na falésia.
Lisboa, 30 de Dezembro de 2013
Carlos Vieira
Ave haiku LXVIII
O rei ceptico enviou um pombo-correio aos aliados
uma mensagem que poderia ser interceptada dizia:
"- Senão atacarmos à noite fá-lo-emos durante o dia!"
Lisboa, 30 de Dezembro de 2013
Carlos Vieira
Poema com motor fora de borda
Aqui vou eu, marinheiro de água doce com o motor fora de borda, pela ria fora, fintando pequenas ilhas e contornando os baixios, lobrigando as bóias e apalpando estrelas no acerto dos canais e da tábua das marés.
Depois, depois é o mar sem fim, sou o mesmo eu, dando-me ares de lobo do mar, o eu que é filho da terra firme e inexpugnável. Que teve sempre este navio da viagem das palavras a lavrar dentro de mim.
Lisboa, 30 de Dezembro de 2013
Carlos Vieira
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