quarta-feira, 24 de agosto de 2016

O mar dos meus olhos


Há mulheres que trazem o mar nos olhos
Não pela cor
Mas pela vastidão da alma
E trazem a poesia nos dedos e nos sorrisos
Ficam para além do tempo
Como se a maré nunca as levasse
Da praia onde foram felizes
Há mulheres que trazem o mar nos olhos
pela grandeza da imensidão da alma
pelo infinito modo como abarcam as coisas e os homens...
Há mulheres que são maré em noites de tardes...
e calma
Sophia de Mello Breyner Andresen (Porto, 6/11/1919 – Lisboa, 2/7/2004)

Memória dos amores de Verão


O cerzir do véu
do olhar
temperado
por um solfejo
de espuma
essa fragância
da maresia
que se escondia
no sabor
das partículas
do seu corpo
eram também
a breve memória
da resplandecente
constelação
de um amor inominável
e fecundo

do marejar nas noites
de insónia
a infinita solidão
lançadas ao mar
as cinzas
do seu mundo
Lisboa, 10 de Junho de 2016
Carlos Vieira


Nu Azul - Picasso

Poema para o mar interior


Dentro de mim
um mar encrespado
uma iminência de naufrágio
do navio uma pungência
não te vou acordar
agora que temos a vida
por um fio
não possas tu
confundir o amor
com esta nunca resolvida
urgência de partir
uma espécie de música
de oceano dentro de nós
aprisionado
manancial de vida
feita de outras tantas mortes.
Lisboa, 10 de Junho de 2016
Carlos Vieira


Pintura de Maelo Tarkin

La Poesia


Provérbio japonês


Federico Garcia Lorca II


Federico Garcia Lorca