terça-feira, 22 de abril de 2014

flores de jardim III


quando ela fala
contorcem-se as raízes 
das plantas do canteiro 

Lisboa, 22 de Abril de 2014
Carlos Vieira

flores de jardim II


a flor volta-se para ela
e banha-se na haste 
de água do regador

Lisboa, 22 de Abril de 2014

flores de jardim I


no botão de rosa
ao relento
um suor frio

Lisboa, 22 de Abril de 2014
Carlos Vieira

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Tocado pela solidão


Agora vai 
pelo meio da rua
indiferente 
à chuva e ao sol
às buzinas 
e aos insultos
está loucamente 
apaixonado
foi "electro-tocado"
pela solidão
tem assim
o mundo todo
na sua mão
poder ou ousadia
de andar
em contramão.

Lisboa, 21 de Abril de 2014
Carlos Vieira

A neve derrete...

a neve derrete 
ao sol primaveril
amanhã ao acordar 
não sei 
se é o murmúrio 
da corrente de água 
no regato que oiço
se és tu 
que ainda corres
à minha beira

Lisboa, 21 de Abril de 2014
Carlos Vieira

Elogio à discrição



Discreto
levitar
da tua silhueta
a passear
erecta
sob o drapejar
das folhas
por instantes
pousa
no teu seio
um pássaro
a quem
como eu
lhe pareceu
ouvir
um secreto
imperceptível
suspirar
do teu sagrado
coração.

Lisboa, 21 de Abril de 2014
Carlos Vieira

O Silêncio de Odilon Redon

Soar do gongo



O eco do gongo
nas montanhas
acorda o pastor
chama à oração
o monge asceta
inicia avalanche
o voo do falcão
baliza o trilho
e a distância
entre o cume
e o precipício
bate uníssono
coração dentro
de nós o gongo
desesperado.

Lisboa, 21 de Abril de 2014
Carlos Vieira