Não te via chorar há anos e nem um jardim, como cenário, tornou o acto menos doloroso de assistir. Sei que é difícil fazeres o caminho de volta. Desapareceu, como a casa, levado pelos ares do desgosto.
Descansa, um dia poderemos falar sobre quase tudo, menos da vida que escolhemos ter.
Estranho nada saber, nunca ter a certeza Do que é verdadeiro, certo ou real, Forçado então a dizer pelo menos é o que sinto Ou Bom, é o que parece: Alguém deve saber.
Estranho ignorar o modo como as coisas funcionam: A sua capacidade de encontrar o que necessitam, O seu sentido de forma, e o espalhar da semente preciso, E a sua vontade de mudar; Sim, é estranho,
Trazer vestido até tal conhecimento – pois a nossa carne Cerca-nos com as suas próprias decisões – E ainda assim gastar a vida em imprecisões, Tanto que quando começamos a morrer Nem fazemos a ideia do porquê. Philip Larkin tradução de Pedro Silva Sena