terça-feira, 31 de dezembro de 2013

the safety of objects


I'm trying to find some piece of myself that is truly me, a part that I would be willing to wear like a jewel around my neck. My foot. I love my foot. If I had to send a part of myself to represent myself in some other country, or in some other way, I would amputate my foot and send it wrapped in white tissue on a silk-embroidered cushion. I would send my foot because it is me, more me than I'm willing to let on. There are other parts that are also good - hands, eyes, mouth - but after a few months I might look at them and not see the truth. After a few years I might look at them and think of someone else. But my foot is mine, all mine, the real thing. There is no mistaking it. I look at it; I take off my sock and it screams my name.

Amy M. Homes

o táxi


Quando me afasto de ti
o mundo bate sem força
como um tambor que enfraquece.
Eu chamo-te entre as estrelas lá no alto
e grito pelas cristas do vento.
As ruas, rapidamente,
uma a seguir à outra,
levam-me para longe de ti,
e os candeeiros da cidade furam-me os olhos
para que não mais contemple a tua face.
Porque deverei eu abandonar-te,
para acabar magoada nas afiadas esquinas da noite?


Amy Lowell

Gosto de ostras...

Gosto de ostras
do seu cheiro a maresia
do teu aroma remanescente
nas pérolas.

Lisboa, 31 de Dezembro de 2013
Carlos Vieira

Ao fim

Al Cabo

Al cabo, son muy pocas las palabras
que de verdad nos duelen, y muy pocas
las que consiguen alegrar el alma.
Y son también muy pocas las personas
que mueven nuestro corazón, y menos
aún las que lo mueven mucho tiempo.
Al cabo, son poquísimas las cosas
que de verdad importan en la vida:
poder querer a alguien, que nos quieran
y no morir después que nuestros hijos.

Ao Fim

Ao fim são muito poucas as palavras
Que nos doem a sério e muito poucas
As que conseguem alegrar a alma.
São também muito poucas as pessoas
Que tocam nosso coração e menos
Ainda as que o tocam muito tempo.
E ao fim são pouquíssimas as coisas
Que em nossa vida a sério nos importam:
Poder amar alguém, sermos amados
E não morrer depois dos nossos filhos.

          Amalia Bautista

tradução: Joaquim Manuel Magalhães*

Deitas-te aos meus pés...

Deitas-te a meus pés
e as páginas passam a ser almofadas
recheadas de sonhos

e frutos
e nuvens
e acreditares

e palavras como as que nunca me disseste


Alexander Demidov

Trago as mãos sonâmbulas...


trago as mãos sonâmbulas de te esperar ao relento da noite.
há muito que deixei de trazer mapas nos bolsos.
respiro apenas a lonjura.


Ana C.

Ave haiku LXXIV




O voo do sabre é o relâmpago que fulmina 
a passagem do tempo da melancolia
uma ave frágil de cerâmica é um pára-raios.

Lisboa, 31 de Dezembro de 2013
Carlos Vieira